• Sindicalize-se!

  • Site ANDES-SN

  • Assessoria Jurídica

  • Cartão TRI Passagem Escolar

  • Cartilha sobre Assédio Moral

Feminicídio cresce, mas a voz das mulheres também

21 de janeiro de 2019

O aumento do número de feminicídios é alarmante em todo o Brasil. Apenas no Rio Grande do Sul, 117 casos foram registrados em 2018, conforme dados da Secretaria de Segurança Pública – 40% a mais do que no ano anterior, quando chegaram a 83.

O cenário prova que, diferentemente do que pregam aqueles que condenam o “politicamente correto”, as mulheres seguem enfrentando ameaças constantes – além das mortes oficiais, são inúmeras as que ficam fora dos registros oficiais, sem falar em outras formas de agressão.

A cultura da violência e da opressão à mulher não é novidade, e combatê-la é uma luta difícil de emplacar em meio a um contexto de retrocesso como o vivido no País atualmente.  O próprio presidente, por exemplo, afirmou que sua única filha foi fruto de uma “fraquejada”, destilando e incentivando a misoginia e o ódio às mulheres.

Não calarão

Assédio, ameaças e direitos reduzidos fazem parte da história das mulheres, mas a voz de quem vive na pele esse tipo de coerção está cada vez mais alta e proliferada. Marielle Franco, assassinada há quase um ano juntamente com seu motorista Anderson Gomes, foi um dos exemplos mais claros dessa força, que, apesar da tentativa, não foi eliminada com sua morte. Mulher, negra, LGBT, mãe, ativista dos Direitos Humanos, socialista, favelada, vereadora e feminista, representava – e ainda representa – a concentração de minorias em voz ativa e essencial para a conquista de espaço em uma sociedade que segue hipócrita e sexista, para dizer o mínimo.

Placas com o nome da vereadora chegaram a ser destruídas com orgulho por apoiadores da campanha de Flavio Bolsonaro, que inclusive defendeu o ato, emitindo um recado bem claro à sociedade que acabou por eleger seu pai como líder maior da nação. “É importante preservar a imagem dessa mulher para que não caia no esquecimento, não só porque ela era uma pessoa extraordinária, mas pela luta que ela representava, e para que não tenhamos mais nenhuma barbárie como a que aconteceu com ela”, declarou a companheira da parlamentar, Monica Benicio, em entrevista à rádio francesa France Info.

Com o objetivo de seguir pressionando por respostas e justiça a esse crime, no dia 14 de março (data do assassinato), haverá um grande ato na Esquina Democrática de Porto Alegre, com início às 18h.

 

Aumento de armas = aumento do feminicídio

Há uma estreita relação entre a presença de armas em residências e mortes de mulheres no Brasil. E a preocupação sobre o avanço dos casos de feminicídios cresce com o decreto que facilita a posse de armas, assinado por Bolsonaro na semana passada.

Em 2017, a cada duas horas, 44 mulheres foram agredidas fisicamente, 14 foram estupradas e uma foi morta, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.  O dado, que preocupa especialistas em segurança e vítimas, é falaciosamente usado como argumento por governo e empresários do setor para defender que a população se arme cada vez mais. No entanto, segundo pesquisa do Datafolha de dezembro de 2018, 61% da população em geral e 70% das mulheres são contra a flexibilização da posse de armas.

“O aumento do número de armas em circulação, em casa ou na rua, expõe as mulheres a mais riscos. Bradar que mais armas evitarão sua vitimização é falacioso e não serve ao propósito de protegê-las, mas sim de abandoná-las à própria sorte. As mulheres dizem não a esse contrassenso”, diz coluna assinada por Ana Carolina Pekny, pesquisadora do Instituto Sou da Paz, e Natália Pollachi, coordenadora de projetos do Instituto Sou da Paz no site do El País.

 

Dia sem Mulher: uma greve internacional de mulheres

Antes mesmo do ato em memória de Marielle, haverá uma grande mobilização internacional de mulheres. No dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, será realizado o “Dia sem Mulher”, paralisação contra o feminicídio, o machismo, a desigualdade, a exploração no trabalho e na economia e a desumanização feminina. O objetivo da iniciativa, convocada por dezenas de movimentos feministas em países como Austrália, Bolívia, Chile, Brasil, Equador, Irlanda, Israel, México, Suécia, Nicarágua, EUA, Itália, Alemanha, França, Inglaterra, Polônia, Escócia, Turquia, El Salvador e Coréia do Sul – entre muitos outros –,  é que todos os tipos de ambientes de trabalho fiquem sem a presença das mulheres.

O protesto internacional é inspirado no Dia Livre das Mulheres islandesas de 1975, quando 90% das cidadãs deixaram seus postos de trabalho (em 24 de outubro) para protagonizar uma grande manifestação e marcar um ponto de inflexão na luta pela igualdade de direitos, que culminou com um processo de transformação na Islândia, rumo a mais igualdade entre os gêneros.

Ele se apoia, também, no movimento argentino de mulheres de 19 outubro – contra os 200 assassinatos anuais por violência machista no país – e no 3 de outubro da Polônia, quando milhares de mulheres protestaram contra a restritiva lei de aborto impulsionada pelo Executivo – depois rechaçada pelo Parlamento pela pressão das marchas. Além disso, o ato é também alimentado pela força que as mulheres demonstraram na manifestação gigantesca que realizaram em Washington DC, nos EUA, no dia seguinte à posse de Donald Trump.

“A paralisação é também um levante contra o levante conservador que vem se dando no ocidente, a fim de colocar mulheres corajosas na vanguarda da luta feminina e contra as agenda que visam diminuir direitos e segregar minorias. Mostrar a própria força e importância simplesmente expondo o vácuo de suas ausências é o mais um de muitos passos que as mulheres já deram e ainda darão para fazer um mundo mais igual em um futuro melhor – e mais feminino e livre”, resume texto publicado pelo portal Hypeness.

Deixe um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

  • FUTURE-SE EM DEBATE

  • Canal Docente

  • Seção Sindical ANDES/UFRGS no Facebook

  • + notícias

  • Digite seu endereço de email para acompanhar esse blog e receber notificações de novos posts por email.

%d blogueiros gostam disto: