• Sindicalize-se!

  • Seção Sindical ANDES/UFRGS no Facebook

  • Cartilha sobre Assédio Moral

  • Assessoria Jurídica

  • Site ANDES-SN

  • Eventos por vir

    Nenhum evento

  • agosto 2012
    S T Q Q S S D
    « jul   set »
     12345
    6789101112
    13141516171819
    20212223242526
    2728293031  
  • É para rir?

  • Categorias

  • + notícias

  • Digite seu endereço de email para acompanhar esse blog e receber notificações de novos posts por email.

Carta ao Reitor (texto da Profª Russel Teresinha Dutra da Rosa)

Porto Alegre, 09 de agosto de 2012.

Senhor Reitor:

Como professora desta Universidade, há 15 anos, e Chefe de Departamento, há dois anos, ex-aluna e ex-servidora técnico-administrativa, venho me manifestar em relação aos encaminhamentos da Administração Central diante       das consequências do movimento de greve dos professores e dos servidores técnico-administrativos.

Antes de expressar minha perspectiva sobre os últimos acontecimentos, desejo contextualizar minhas opiniões, afirmando que me formei na UFRGS não só como profissional, mas como cidadã. Tenho grande apreço por esta instituição e dedico minha capacidade de trabalho e minha criatividade às pessoas que constituem nossa Universidade – os colegas professores, os servidores técnico-administrativos e, principalmente, os estudantes de graduação.  Quero informar ainda que participei do pleito que os elegeu com o meu voto para o primeiro e para este segundo mandatos, acreditando ver pessoas com espírito democrático e capacidade de escuta ocupando a Reitoria. Diante disso, peço, por meio desta carta aberta aos senhores, que recebam em seus gabinetes os colegas que representam, de forma legítima, os professores que aderiram ao movimento grevista em nossa Universidade.

Desde o dia 19 de junho, um coletivo de cerca de 200 professores de nossa Universidade tem debatido as formas de participação no movimento nacional que reivindica um plano de carreira que expresse a realidade do trabalho realizado; a reposição de perdas salariais históricas; melhores condições de trabalho e remuneração digna aos colegas já aposentados. Assim, nesses  45 dias de greve tenho participado de reuniões, assembleias, aulas públicas e atividades culturais, as quais possibilitaram o encontro entre professores, estudantes e demais servidores para construir uma experiência de Universidade democrática e interdisciplinar, atravessando as fronteiras entre departamentos e unidades acadêmicas. Esse movimento criou as condições para conhecer novos colegas, traçar projetos em colaboração e superar o produtivismo e a competição que nos coloca como adversários, no contexto político de investimentos por meio de editais, a partir dos quais precisamos concorrer com os colegas por recursos escassos. Em nossos espaços de troca e de tomada de decisão por consensos, prevaleceu o exercício da persuasão, o qual requer a elaboração de bons argumentos.

Em contrapartida, tivemos que lidar com os obstáculos criados por uma entidade que deveria nos representar, a ADUFRGS Sindical/PROIFES. Tal entidade, de forma desrespeitosa, omitiu e distorceu informações, lançou mão de enquetes eletrônicas tendenciosas, desqualificou aqueles que buscaram organizar os docentes  da UFRGS para adesão ao movimento nacional. As ações desleais dessa entidade ganharam expressão máxima quando da assinatura de um acordo com o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, desconsiderando decisões tomadas por professores em assembleias em todo o país. Nesse acordo, o plano de carreira permaneceu desfigurado, as condições de trabalho não foram contempladas e a reposição das perdas salariais é desigual entre os diferentes níveis, sendo ínfima em alguns casos, considerando-se o seu parcelamento ao longo de três anos.

Finalmente, por força da lei, a ADUFRGS Sindical convocou uma Assembleia para o último dia 06 de agosto, em um auditório que não comportava o número de pessoas interessadas em participar dos rumos do movimento docente em nossa Universidade. Naquela simulação de assembleia, o debate livre de ideias foi amputado pelo desconforto e os riscos oferecidos por um ambiente inapropriado e pela restrição à palavra. Presenciamos um simulacro de democracia em que a rápida votação seria precedida por apenas quatro intervenções, sem possibilidade de serem apresentados informes a respeito da conjuntura nacional, sem a participação de representantes do movimento dos servidores técnico-administrativos ou de estudantes. Finalmente, as manifestações lamentáveis dos dirigentes da ADUFRGS desqualificaram a seriedade de metade da audiência, os professores em greve, taxados de “aventureiros”. E precisamos ver um movimento democrático ser encerrado por pessoas que não participaram de sua construção, que preferem clicar em consultas eletrônicas a se dispor a escutar e debater opiniões divergentes.

Com tristeza, no dia 07 de agosto, ao consultar a página da UFRGS tive o desprazer de verificar que os dirigentes da ADUFRGS haviam sido recebidos não pela Comissão de Contato da Administração Central com o comando de greve, mas pelo próprio Reitor, acompanhado do Vice-Reitor e sem a presença do Comando Local de Greve. No mesmo dia, como chefe de departamento, fui coagida pelo ofício 12 da PROGRAD, o qual solicitava a apropriação de conceitos até o dia 10 de agosto.

Em minha Unidade, a Faculdade de Educação, e em várias outras como o Instituto de Biociências, o Instituto de Ciências Básicas da Saúde, o Instituto de Matemática, a Escola de Administração, o Instituto de Psicologia e o Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, existem colegas que realizaram paralisações desde o dia 19 de junho e que entraram em greve no dia 29 de junho, sendo necessárias, portanto, pelo menos duas semanas para a finalização do primeiro semestre, a realização de avaliações, para só então, serem apropriados os conceitos.

Face o exposto, venho solicitar que a Reitoria  receba os também representantes legítimos do movimento de professores em greve, os quais, neste momento, de fato expressam o resultado de um debate coletivo, para, assim, negociar um novo calendário acadêmico, de modo a cumprir os 108 dias letivos regimentais. Da mesma forma, solicito a reabertura do Sistema de Graduação, para que os professores possam apropriar os conceitos de suas turmas.

Agradecendo por sua atenção e aguardando providências, despeço-me cordialmente.

Russel Teresinha Dutra da Rosa

Professora Faculdade de Educação

Chefe do Departamento de Ensino e Currículo

Deixe um comentário

2 Comentários

  1. lattes

     /  11 de agosto de 2012

    Russel Teresinha Dutra da Rosa

    http://lattes.cnpq.br/9160396252323696

    Responder
  1. Carta ao Reitor [UFRGS] (texto da Profª Russel Teresinha Dutra da Rosa) | Alunos IFRS-PoA

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: